domingo, 25 de setembro de 2016

Juvenatrix 180

Está disponível mais uma edição do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.
Este número tem 16 páginas e é uma edição especial, com quatro contos e ilustrações do artista português Emanuel R. Marques, que também assina a imagem da capa. Complementam a edição um longo artigo sobre o filme O jovem Frankenstein (Young Frankenstein, 1974) e divulgação de fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo.
Para obter uma cópia, basta solicitar pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

Todo Lovecraft

Até às 23h59 do dia 20 de outubro 2016, quem é fã da melhor literatura de horror pode garantir aqui um exemplar da mega coletânea H. P. Lovecraft: Contos Reunidos do Mestre do Horror Cósmico, projeto de financiamento coletivo que pretende reunir, num só volume, toda a ficção curta do cavalheiro de Providence.
Serão 640 páginas em que se apresentam 61 histórias divididas em quatro tomos: "Ciclo de Cthulhu", "Ciclo dos sonhos", "Miscelânea" e "Juvenília", cada uma delas contextualizada por uma apresentação escrita por Bruno Gambarotto. Conterá ainda um apêndice com ensaios de especialistas na obra do mestre Marcello Simão Branco, Nathalia Sorgon Scotuzzi, Silvio Alexandre, Edgar Indalecio Smaniotto e Guilherme da Silva Braga. A tradução dos contos ficou a cargo de Francisco Innocêncio, e a organização geral do volume é de Bruno Costa, com supervisão de S.T. Joshi.
Há diversos modos de colaborar, cada um deles prevê recompensas bem interessantes.

Carqueija reeditando muito

O escritor carioca Miguel Carqueija, um dos mais produtivos autores do fandom brasileiro de ficção fantástica, segue firme em seu projeto de manter a disponibilidade de seus trabalhos na internet. Desta vez, o autor anuncia a republicação de dois títulos.
Horizonte sombrio é um romance de ficção científica, anteriormente publicado pela Agbook, que agora está disponível para download gratuito em forma de arquivo de texto.
Diz o texto de apresentação: "Numa Terra alternativa, no Rio de janeiro de 1930 e às vésperas da revolução de Getúlio Vargas, três amigos se reúnem em torno de uma invenção perturbadora e revolucionária, capaz de entrar em contato com o longínquo passado. Um quarto amigo, o inventor e físico brasileiro Padre Roberto Landell de Moura (nosso Nikola Tesla), acompanha de longe o experimento, pressentindo que o mesmo pode mexer com algo muito perigoso do passado distante." O texto vem com prefaciado de Ronald Rahal.
A face oculta da galáxia, romance de fc que já teve várias edições, ganha suma segunda republicação em 2016, agora pela plataforma de auto-edição Perse, que oferece o texto em papel (pago) e virtual (gratuito). "Num distante futuro, a Cosmopol está às voltas com um problema muito difícil: um misterioso objeto cósmico, do qual pode depender a estabilidade do universo, foi roubado de uma nebulosa e levado para um distante planeta chamado Sombrio. A ex-mercenária Vésper é chamada de volta à ativa para tentar recuperar o objeto. Atormentada por problemas de consciência, Joana Pimentel, a Vésper, está prestes a vivenciar uma extraordinária experiência que mudará sua vida para sempre." O prefácio é assinado por Jorge Luiz Calife, e posfácio de Maria Santino da Silva.

QI 140

Está circulando o número 140 do fanzine Quadrinhos Independentes-QI, editado por Edgard Guimarães, dedicado ao estudo dos quadrinhos, destacando a produção independente e os fanzines brasileiros.
A edição tem 36 páginas e traz mais depoimento de José Ruy, desta vez sobre o periódico português Cavaleiro Andante, uma homenagem ao mestre Rodolfo Zalla, falecido em 19 de junho deste ano, artigo do editor sobre o personagem Raio Negro, e as colunas "Mistérios do colecionismo", sobre revista anunciadas mas nunca publicadas, e "Mantendo contato", com um ensaio sobre o personagem O Morto do Pântano, criado em 1967 por Eugênio Colonnese. Quadrinhos de Eduardo Marcondes Guimarães, Luiz Cláudio Lope Faria, Chagas Lima e do próprio editor completam a edição, juntamente com as seções fixas "Fórum" (em 12 páginas!) e "Edições independentes", com os lançamentos de fanzines do bimestre.
A capa tem uma ilustração do editor, com cores aplicadas à mão.
Junto ao QI, os assinantes receberam Artigos sobre Histórias em Quadrinhos 2: As histórias em quadrinhos de terror, fascículo de 12 páginas de autoria de Carlos Gonçalves, com um panorama das revistas de horror publicadas no Brasil na visão de um leitor português.
O QI é distribuído exclusivamente por assinaturas, mas sua versão digital pode ser encontrada no saite da editora Marca de Fantasia. Mais informações com o editor pelo email edgard@ita.br.

Marte sempre ataca

Em 2016 comemoram-se os 150 anos do nascimento do escritr britânico Herbert George Wells (1866-1946), mais conhecido com H. G. Wells, considerado o pai de ficção científica, autor de grandes clássicos do gênero, como A máquina do tempo (1895), O homem invisível (1897) e A ilha do Dr. Moreau (1896), entre muitos outros. Mas seu romance mais importante é, sem dúvida, A guerra dos mundos (The war of the worlds, 1898), que recebeu recentemente das editoras Companhia das Letras/Objetiva em seu selo Suma das Letras, uma edição comemorativa extremamente bem cuidada, com tradução de Thelma Médici Nóbrega.
O luxuoso tratamento gráfico e editorial, a começar da capa dura com laminação fosca, relevo seco e papel pólen nas 312 páginas do miolo, revela sua natureza realmente especial no conteúdo, que traz um prefácio assinado por Braulio Tavares (parte dele pode ser lido no Blog da Cia das Letras), com um levantamento histórico e bibliográfico do autor, repleto de informações pitorescas, bem como a longa e igualmente instigante introdução de autoria do também britânico Brain Aldiss, outra sumidade do gênero. Mas não fica nisso. O grande diferencial da edição são os cerca de 30 desenhos de Henrique Alvim Corrêa, artista brasileiro que produziu estas artes para a primeira edição belga do romance, publicada em 1906. A edição brasileira não mantém a mesma qualidade na definição das imagens originais (que podem ser apreciadas em diversos saites na internet, basta pesquisar) mas, mesmo assim, é um privilégio poder apreciá-las na forma similar a que foram apresentadas originalmente aos leitores.
A história é bastante conhecida. Depois de esgotarem os recursos naturais de seu planeta natal, a civilização marciana empreende uma migração em massa para a Terra, com objetivo de aqui se estabelecer. Dotada de grande avanço científico e tecnológico, os invasores facilmente dominam o planeta e iniciam a transformação do ambiente para seus próprios padrões, eliminando o incômodo humano no processo. A narrativa parte do ponto de vista de um cidadão comum, morador de Winchester, na Inglaterra, que, no ano de 1894, ao lado de outros moradores locais, testemunha a aterrissagem de uma das primeiras espaçonaves marcianas, a partir de onde todo o horror começa.
Não se trata de uma história convencional dentro do subgênero das invasões que ela mesma inaugurou. É uma narrativa de horror, repleta de descrições vívidas e muita desesperança. Wells não estava ali propondo apenas uma obra de ficção para entreter adolescentes. Na época em que escreveu, esse objetivo não existia no gênero*. Tinha sim um alvo maduro e evidente, que era a política colonialista que o império britânico imprimia ao mundo de seu tempo, algo similar ao que fazem hoje os impérios neocoloniais, impondo sua presença em territórios estrangeiros à força de seu poder bélico superior. Do mesmo modo que as populações invadidas de hoje reagem com ações que o ocidente convencionou chamar de "terrorismo", em A guerra dos mundos a humanidade tenta, com seus parcos e insignificantes recursos, resistir à presença alienígena, sem qualquer efeito. A invasão é completa e irresistível, e a humanidade parece viver seus últimos dias. O que vai decretar o desfecho da história é inesperado, algo sob o qual nem homens nem marcianos detêm qualquer controle. Mais uma vez, Wells estava coberto de razão.
A edição ainda traz, em suas páginas finais, uma entrevista com o autor e o cineasta Orson Welles – cuja adaptação da obra para o rádio 1938 causou pânico nos EUA. Welles certamente ajudou a construir a fama que A guerra dos mundos tem hoje, que depois recebeu adaptações para diversas mídias, e pelos menos duas grandes produções cinematográficas em Hollywood, uma de 1953 e outra de 2005, cada qual com uma leitura própria da obra vista a partir do território americano. Na verdade, A guerra dos mundos já assume o formato de um universo compartilhado, pois há dezenas de obras que dão versões em cores locais à invasão marciana de Wells, com fatos ocorridos em paralelo ou na seuência, como na ótima noveleta "A vitória dos minúsculos", em que o escritor brasileiro Roberto de Sousa Causo narra, em estilo machadiano, a chegada dos marcianos ao Rio de Janeiro, e na novela "Não estamos divertidos", na qual o escritor português João Manuel Barreiros conta uma missão de contra-ataque da Terra a colônia marciana na Lua, que sobreviveu ao holocausto.
Ou seja, ainda que seja um clássico obrigatório, nunca foi tão oportuno adquirir, ler e reler esta que é, sem dúvida, o que se pode chamar de uma edição definitiva para A guerra dos mundos.

* O conceito de literatura segmentada só viria a ser instalado na fc no período da normatização editorial das literaturas de gênero, promovida pelo editores pulp, nos anos 1930/1940, nos EUA, com objetivos unicamente comerciais.

sábado, 17 de setembro de 2016

Lalo e Vésper

O escritor sãobernardense Hugo Vera, conhecido por organizar a série de antologias Space opera para a editora Draco, está envolvido com um novo e ousado projeto: uma série de aventuras de ficção científica em desenho animado, inspirada nos seus personagens Lalo e Vésper: Patrulheiros galácticos. Diz o autor: "É um trabalho autoral, que será disponibilizado gratuitamente no Youtube/Facebook/site oficial. É todo desenhado e animado por mim mas, para a sua conclusão, vou precisar do apoio dos amigos. Conheça o meu projeto, e se puder, colabore! Qualquer contribuição é bem-vinda."
Um trailler pode ser visto aqui. No mesmo link podem ser conhecidas as várias formas de apoiar o projeto, bem como os brindes e retribuições que promete aos apoiadores. Confira!

Todas as Starlogs

Nos anos 1980, a grande fonte de informação dos fãs de ficção fantástica, especialmente sobre cinema e tv, era a revista americana Starlog que, mensalmente, trazia notícias e curiosidades sobre a produção de fc&f nos EUA, inclusive com artigos dedicados a literatura e outras mídias, embora o seu carro chefe sempre tenha sido a produção audiovisual. Era uma publicação valorizada, difícil de obter, especialmente por conta de seu alto custo. Chegou a ter uma versão brasileira nos anos 1990 que, assim como outras publicações do segmento, não vingou frente à concorrência da internet.
Mas agora, as facilidades da internet tornam a Starlog uma publicação ao alcance de todos: todas as edições estão disponíveis gratuitamente para leitura online aqui.
Recomendo especialmente a edição comemorativa número 100, que trouxe uma valiosa lista de personalidades da fc&f mundial que ainda pode servir de referência aos estudiosos do gênero.