quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Atomic 2017

Depois de um 2016 de dificuldades, a Atomic Quadrinhos retoma às atividades editorais a todo o vapor, anunciando o lançamento de cinco novos títulos em várias de suas coleções.
O carro chefe dessa editora gaúcha, coordenada por Marcos Freitas, é o fanzine Quadritos, que chega com sua edição número 13 destacando o trabalho de Elmano, autor de séries que fizeram muito sucesso nos anos 1980 nas páginas da revista Spektro. Traz ainda trabalhos de Mozart Couto, Flávio Calazans, Lafaiete Nascimento, Edgar Franco, Edgard Guimarães, Guabiras, Danielle Barros e Júlio Shimamoto.
A editora também prepara dois álbuns de Flávio Calazans, republicando o que chama de "Guerras calazanísticas": A guerra dos golfinhos e Guerra das ideias, verdadeiros clássicos dos quadrinhos independentes.
A coleção Monstros dos Fanzines recebe sua quarta edição dedicada ao trabalho de Luciano Irrthum, quadrinhista mineiro dono de um traço personalíssimo, premiado com o Nova em 1995.
Para completar, o primeiro número da coleção Atomixxx, dedicada ao quadrinho erótico. Na edição de estreia, Fátima, a mutante, de Emir Ribeiro.
Para uma visão detalhada de cada edição, está disponível aqui o informativo Radioatividade, com 47 páginas e muitas imagens do conteúdo de cada um destes lançamentos. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Argos 2016 em números

O Clube de Leitores de Ficção Científica-CLFC divulgou há poucos dias a planilha final dos votos recebidos para o prêmio Argos 2016, que aponta, na opinião de seus membros, os melhores trabalhos nacionais publicados no Brasil em 2015 nas categorias Romance, Conto e Antologia.
É possível ver a relação sem nenhum filtro, mas é preciso um pouco de atenção para entender o que ela mostra. Interessado que sou pelos números, mais exatamente pelas informações estatísticas ligadas ao fandom, estudar uma planilha como essa revela muitas coisas para além dos escolhidos, conhecidos numa cerimônia de premiação no Rio de Janeiro, no último dia 26 de novembro.
Os vencedores foram, na categoria Romance, O império de diamante, de João Beraldo; "O último caçador branco" e Monstros Gigantes: Kaiju, ambos de Luiz Felipe Vasques, levaram os prêmios nas outras duas categorias. A grande vencedora da premiação, contudo, foi a Editora Draco, publicadora de todos os três premiados. Não foi a primeira vez que aconteceu, pois em 2012, quando o Argos tinha apenas as categorias Romance e Conto, isso já havia ocorrido. O que reforçou a hegemonia neste ano foi  que o seu editor, Erick Sama, também foi homenageado com um prêmio especial.
Mas vamos aos números.
Houve um total de 48 votantes, e variou muito a composição dos votos. Nenhuma categoria teve participação total e houve uma grande quantidade de votos em branco. Cada categoria pede o voto de dois títulos, em primeira e segunda posições. A contagem dos pontos – se segue os mesmos critérios de 2012 – é de 2 pontos para o voto em primeira posição e 1 ponto para o voto em segunda posição.
A categoria Romances recebeu um total de 62 votos: 34 para 1º, 25 para 2º e 3 votos inválidos (livros de autores estrangeiros que não participam do certame). O vencedor, O império de diamante, recebeu 15 pontos, com seis primeiros lugares. O segundo colocado foi Estação Terra, de Odimer Nogueira (12 pontos, quatro primeiros lugares); o terceiro foi E de extermínio, de Cirilo Lemos (11 pontos, três primeiros lugares); em quarto, empatados Encruzilhada, de Lúcio Manfredi e Estranhos no paraíso, de Gerson Lodi-Ribeiro (9 pontos, quatro primeiros lugares cada). Outros 20 títulos aparecem na sequência. Percebe a ausência dos grandes nomes do gênero, embora Eduardo Spohr e Leonel Caldela tenham sido lembrados em posições de fundo.
A categoria Contos foi a mais concorrida: recebeu 64 indicações, sendo 33 para primeira colocação, 28 para a segunda e 3 votos inválidos (um texto de 2016, um romance e um texto estrangeiro). O vencedor, "O último caçador branco", recebeu 14 pontos (seis primeiros lugares). Em segundo, Diamante truncado, de Carlos Orsi (8 pontos, três primeiros lugares); em terceiro A invasora, de Fabio Barreto (6 pontos e três primeiros lugares); em quarto lugar, "Lolipop", de Claudia Duguin (5 pontos, um primeiro lugar), e em quinto, empatados, "Fita de Moebius", de Valter Cardoso, "A noiva diminuta", de Clara Madrigano, "Cruzeiro do Sol", de Edgar Smaniotto, O tesouro de mares gelados, de Ana Lucia Merege e "Dandara, rainha guerreira de Palmares", de Newton Nitro (todos com 3 pontos e um primeiro lugar). Aqui cabe uma observação: apesar do empate quíntuplo, apenas "Fita de Moebius" e O tesouro de mares gelados figuraram entre os finalistas divulgados antecipadamente. Talvez houvesse alguma invalidade nos demais títulos ou este contador incompetente tenha errado nos cálculos. De qualquer forma, isso não mudaria o resultado pois a votação já estava encerrada. Seguem-se mais 28 títulos, que denotam uma pulverização bem maior que na categoria Romances. Ana Lúcia Merege, Edgar Smaniotto, Sid Castro e Gilson Cunha foram lembrados com dois títulos cada.
A categoria Antologias foi a menos votada: recebeu apenas 45 indicações, 25 em primeiro lugar, 16 em segundo e 4 votos inválidos (uma hq, um conto e dois livros publicados em outros anos). O vencedor foi Monstros gigantes: Kaiju (22 pontos, dez primeiros lugares), sendo de longe a maior unanimidade do certame. Em segundo vem Estranhas histórias de seres normais (6 pontos, três primeiros lugares); em terceiro Space Opera 3 (6 pontos, dois primeiros lugares), em quarto Samurais e ninjas (6 pontos, nenhum primeiro lugar). Empatados na quinta posição, Herdeiros de Dagon e Medieval (4 pontos, dois primeiros lugares cada). Apesar do empate, Medieval não figurou entre os finalistas divulgados antecipadamente, porque a organização decidiu contabilizar um voto inválido para o periódico Imaginários 6 (esse voto foi dado nominalmente para o volume número 2), que alterou a classificação final. Seguem mais nove títulos, revelando que os leitores de hoje, apesar de ainda darem atenção especial à categoria Contos, não parecem tão interessados em antologias como em outros tempos. Curiosamente, entre os citados aparece apenas uma coletânea (seleta de um único autor), que é Tempos de fúria, de Carlos Orsi, na sétima posição.
É claro que não podemos tirar desta pesquisa em um universo limitadíssimo, conclusões para o fandom como um todo. Num ano de ampla variedade de editoras trabalhando a fc&f, inclusive algumas grandes, todos os votos serem conduzidos a uma única casa é algo bastante incomum. Por certo, revela que as pessoas ligadas ao CLFC dão preferência ao que essa editora em especial tem publicado, e não mais do que isso. Afinal, cada editora tem seu público, e acontece da Draco ter no CLFC uma fidelidade incontestável, maior até que a seu próprio veículo, o fanzine Somnium, que não emplacou nenhum conto entre os finalistas.
Para checar estas informações e tecer suas próprias conclusões, visite a planilha aqui.

11 de dezembro: Dia da ficção científica brasileira

O próximo dia 11 de dezembro será uma data lembrada para sempre. Pela primeira vez na história, a ficção científica brasileira terá o seu dia. E não é um dia qualquer, escolhido aleatoriamente: trata-se da data de nascimento de Jerônymo Monteiro (1908-1970), considerado pelos fãs do gênero como o pai da ficção científica brasileira, escritor, tradutor, editor e organizador de extrema ousadia, que teve importante papel na construção de uma consciência brasilianista no gênero, numa época em que a fc era desprezada pela intelectualidade.
Monteiro é autor, entre outros livros, do romance Três meses no século 81 (publicado em 1947), foi diretor de redação da Magazine de Ficção Científica, da editora Globo, que, a cada edição, apresentava um autor brasileiro. Também foi um dos primeiros autores brasileiros a enveredar pela literatura policial. Foi fundador do Clube de Ciencificção (1964) e da Associação Brasileira de Ficção Científica-ABFC (1969), os primeiros do gênero no país.
Para fixar essa efeméride, a Biblioteca Pública Viriato Corrêa vai receber um evento especial, quando o ator será lembrado e homenageado nas pessoas de Helio Monteiro e Cris Monteiro Kayatt, filho e neta de Jeronymo Monteiro, num bate papo mediado pelo editor Silvio Alexandre e pelo escritor Luiz Bras. Também sertão expostos objetos, fotos e livros ligados ao escritor.
O evento acontece exatamente no dia 11 de dezembro, das 15 às 17 horas, na Biblioteca Pública Viriato Corrêa (Rua Sena Madureira, 298 - Vila Mariana - São Paulo). A entrada é franca.
Mais informações na fanpage do evento, aqui.

Galaxis repaginado

Está de roupa nova o saite Galaxis: Conflito e intriga no século 25, dedicado à obra do escritor sambernardense Roberto de Sousa Causo. Trata-se de um autor que construiu sua carreira explorando o ambiente fantástico, especialmente a ficção científica, que é objeto deste saite, mais especificamente as séries de 'space opera' Shiroma e Lições do Matador, ambas com diversos textos já publicados em livros, revistas e antologias.
O trabalho de recriação visual esteve a cargo do ilustrador paulistano Vagner Vargas, conhecido pelas belas capas que produz para livros de fc&f.
Para quem gosta de apreciar imagens inspiradoras, vale a pena dar uma olhada também no saite de Vargas, que tem muito para mostrar.

Pago

2016 assinalou o centenário da morte de João Simões Lopes Neto (1865-1916), escritor de Pelotas, considerado o mais importante autor regionalista gaúcho. Sua obra inspirou a produtora Epopeia, que está desenvolvendo o jogo eletrônico Pago, no qual um viajante, após muitos anos vivendo na cidade, quer voltar a sua terra natal, mas para isso terá de enfrentar diversas dificuldades nas figuras de personagens do folclore gaúcho.
Recentemente, a Epopeia anunciou a contratação de Christopher Kastensmidt, escritor norte-americano radicado no Brasil, autor da franquia A Bandeira do Elefante e da Arara que, além de conhecedor do nosso folclore, é experiente desenvolvedor de jogos. “A primeira vez que me apresentaram o Pago, me encantei com o projeto. É um game de temática universal e uma linda ambientação regional que vai chamar muita atenção pela originalidade. Tenho certeza que vai ser um sucesso internacional e fico honrado com o convite de fazer parte do time”, destacou Christopher. Sem dúvida, um reforço luxuoso para a equipe.
No momento, a Epopeia está em busca de empresas para financiar o projeto. Aqueles que tiverem interesse em participar terão sua marca vinculada ao jogo e que, por consequência, será levada aos mais diversos eventos que entrarem no calendário de divulgação do material no próximo ano.
Pago deve ser lançado entre 2017 para PCs e, futuramente, para os consoles Playstation e Xbox.
Um vídeo com imagens do jogo pode ser assistido aqui.

Arthur Machen: O mestre do oculto

Arthur Machen: O mestre do oculto é o novo projeto da editora independente Clock Tower, que reúne textos do escritor galês Arthur Machen (1863-1947), considerado um dos autores clássicos do horror.
Trata-se da mais completa obra do autor no país, com nove textos selecionados, muitos dos quais inéditos em língua portuguesa, incluindo a novela "O grande deus Pã", seu texto mais conhecido.
A edição está sendo viabilizada exclusivamente através de pré-venda; ou seja, depois de encerrada, o livro não será mais comercializado.
Mais informações no saite da editora Clock Tower, aqui.

Conexão Literatura 18

Está circulando o número 18 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição de 73 páginas destaca o trabalho da escritora Aline Basztabin, autora dos livros A indiscutível forma de amar e A essência da dor. Também são entrevistados os escritores Anderon Câmara, Caio Viana, Daniella Pontes, Francisco Ederaldo Kornalewski, Isidoro Sousa, José Paes, Lou Olivier e Ricardo Netto.
Ainda são publicados contos de Míriam Santiago e Marcelo Garbine, crônicas de Angelo Miranda, Dione Souto Rosa e Misa Ferreira, poemas de Amanda Lonardi e Jack Michel, resenha de Rafael Botter ao livro Chaves: A história oficial ilustrada, além da coluna "Conexão Nerd" comentando os grupos literários nas redes sociais.
A revista é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.