sábado, 11 de fevereiro de 2017

Resenha: Nova era

Mundo novo 3: Nova era (The revival), Chris Weitz. 216 páginas. Tradução de Álvaro Hattnher. Editora Companhia das Letras, Selo Seguinte. São Paulo, 2016.

Com este livro, originalmente publicado em 2016 nos EUA, chega ao fim a saga da tribo de adolescentes novaiorquinos que sobreviveu ao apocalipse depois que um vírus altamente agressivo dizimou toda a população adulta na América.
Nos volumes anteriores, Mundo novo (2014) e Nova ordem (2015), vimos como Jefferson, Donna, Petter, Crânio e seus amigos tentam, a todo custo, encontrar uma cura para a praga antes que todos cheguem a idade fatal. Para isso, abandonaram a segurança de sua aldeia protegida por barricadas e algumas armas, e lançaram-se numa jornada de esperança pela Nova York devastada e ocupada por adolescentes violentos, psicopatas, antropófagos, escravagistas e outros tipos igualmente perigosos. A cura foi enfim encontrada, mas ela era apenas o começo do verdadeiro problema que se desenrolava em outras partes do mundo. Na Europa e na Ásia, uma vacina foi produzida e os adultos sobreviveram, bem como toda a parafernália tecnológica a qual estamos acostumados. Mas o desaparecimento dos EUA no cenário mundial causou grandes mudanças no equilíbrio político do mundo e agora todos querem dominar o que sobrou de útil na América, o que significa "arsenal nuclear". A ideia dos governos estrangeiros, especialmente a Inglaterra, é esperar que todos morram na América para então agir com mais liberdade e segurança. Mas a cura de Jefferson os obriga a acelerar seus planos, ainda mais porque há grupos dissidentes que não querem que a nova ordem mundial seja construída sobre uma hegemonia britânica. Um desses grupos, conhecido como Reconstrução, se alia aos garotos na cruzada para salvar o que restou da América. Mas, enfim, as coisas não eram exatamente o que pareciam.
Neste terceiro e último volume, Jefferson e seus companheiros têm de lutar mais um pouco para salvar seus amigos. De volta a Nova York, o plano de Jefferson de unir as gangues em torno da cura fracassou. Traído pela Reconstrução, a "Bola de futebol" e o "Biscoito", os dispositivos de lançamento de mísseis nucleares encontrados no prédio da ONU onde haviam sido abandonados no auge da crise, acabam nas mãos da tribo de Uptown, um grupo belicoso e muito bem armado liderado por um psicopata chamado Evan. Caçado pelos garotos de Uptown, Jefferrson tem de fugir e encontrar algum apoio, e ele vem na pessoa de Donna que, finalmente, retorna à Nova York acompanhada de um comando militar britânico altamente equipado cuja missão é resgatar os dois equipamentos que estão com Evan. A chama do amor entre Jeff e Donna foi severamente afetada pelos eventos do volume anterior. Ainda há uma fagulha, mas nada pode prosperar enquanto o mundo estiver a beira do desastre nuclear total. Contudo, não é uma opção permitir que os dispositivos caiam nas mãos dos britânicos, nem os russos ou dos chineses, que também enviaram tropas para a ilha com o mesmo fim. A esperança repousa na tribo do Harlen, que Jefferson traiu no passado, e o reencontro entre eles pode ser imprevisível.
Weitz, que tem experiência como roteirista e diretor de cinema, desenvolve sua trama através de depoimentos e registros pessoais de personagens-chaves, de modo que, apesar na narrativa ser linear, o leitor obtém uma visão tridimensional do ambiente e das relações entre os diversos núcleos narrativos. O autor tem grande habilidade em modular as vozes dos personagens, mas a produção gráfica ajuda dando a cada um deles uma tipografia diferente, que combina com sua psicologia. E Weitz fez questão de dar personalidade variada a eles, adotando uma linha inclusiva que privilegia minorias e as trata com dignidade. Por exemplo, Petter, que é negro e homossexual, finalmente ganha neste volume seu próprio núcleo narrativo.
Também percebe-se que Weitz se esforçou por atualizar o ambiente, referindo-se a fatos e personalidades mais recentes, como Donald Trump, o Estado Islâmico, por exemplo, que não chegaram a ser citados nos volumes anteriores. Para uma leitura atual, por certo que tais citações acrescentam realismo, mas são elementos datados que podem envelhecer com o passar dos anos.
Apesar de toda a violência, Nova era é um livro para leitores jovens, de leitura fácil e sem grandes complexidades filosóficas, a não ser nas entrelinhas, pois o ambiente permite insights mais sofisticados aqui e ali.
Em toda grande história, vale mais a jornada do que a chegada, e não é diferente com a trilogia de Chris Weitz. Se é preciso um final, então que seja. Por mim, eu estaria muito disposto a seguir acompanhando as desventuras de Jeff e os sobreviventes de sua tribo nesse mundo desfigurado pela peste. Quem sabe, talvez não tenha sido mesmo o The end definitivo.

Juvenatrix 183

Está disponível a edição de fevereiro do fanzine eletrônico de horror e ficção científica Juvenatrix, editado por Renato Rosatti.
A edição tem 13 páginas e traz resenhas aos filmes As bonecas da morte (The psychopath, Inglaterra, 1966), A criatura da mão azul (Die blaue hand, Alemanha Ocidental, 1967), A cruz do diabo (La cruz del diablo, Espanha, 1975), O fantasma de Frankenstein (The ghost of Frankenstein, EUA, 1942), Fantasmas que ainda vagam (Ghosts that still walk, EUA, 1977), Latidos de pánico (Espanha, 1983), Sol (Brasil, 2017) e O uivo da bruxa (Cry of the banshee, Inglaterra, 1970). Divulgação de fanzines, livros, filmes e bandas independentes de rock extremo complementam a edição. A capa traz uma ilustração de Angelo Junior.
Para obter uma cópia, basta solicitar pelo email renatorosatti@yahoo.com.br.

Conexão Literatura 20

Está circulando o número 20 da revista eletrônica Conexão Literatura, editada por Ademir Pascale pela Fábrica de Ebooks.
A edição tem 52 páginas e destaca na sua capa o trabalho das escritoras Jaqueline e Micheline Ramos, mais conhecidas como Jack Michel, autoras do romance 1 anjo MacDermot, publicado pela editora Drago. Também são entrevistados na edição os escritores Adiel Machado (Selvageria urbana), Kathia Brienza (Não é com vinagre que se apanham moscas), Fernanda W. Borges (O reverso do destino), Filipe Santos (Luas de sangue), Caio Mirabelli (As consciências do universo) e o artista gráfico Denis Lenzi. A revista ainda traz um conto de Mauricio Campos e crônicas de Misa Ferreira, Dione Souto Rosa e Míriam Santiago. A coluna "Conexão Nerd" divulga o novo canal da revista no Youtube, que pode ser conferido aqui.
A revista é gratuita e pode ser baixada aqui. Edições anteriores também estão disponíveis.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Essenciais de 2016 - Autores brasileiros

Apesar da crise, 2016 foi um ano favorável para a ficção especulativa brasileira. Não na quantidade, que está em queda livre, mas pelo menos a qualidade do material publicado tem se sustentado, o que aumenta o desempenho médio da produção nacional.  Também observamos o esboço de um núcleo semi-profissionalizado no segmento, com a presença recorrente de determinados autores com novos livros nas livrarias, o surgimento de periódicos sérios, inclusive de natureza acadêmica. Ainda que não necessariamente proveitosos do ponto de vista financeiro,  é importante a conquista desses espaços, que acenam com um futuro alvissareiro a longo prazo, especialmente quando esta crise passar – e ela vai passar.
No que se refere a ficção nacional, os romances ocupam a linha de frente, com treze títulos inéditos e uma republicação importante. Como tem sido a tendência, o gênero da fantasia continua a ser o mais praticado e no qual os autores parecem se sentir mais a vontade. Dois contumazes best-sellers aparecem aqui, ambos pela Editora Rocco: André Vianco, com Dartana, pelo selo Fábrica 231, uma história dark fantasy no ambiente medieval, e Carolina Munhóz, com Por um toque de sorte, segundo volume da série Trindade Leprechaum, pelo selo Fantástica, uma história contemporânea que, assim como Vianco, se desenvolve em torno de mitologias europeias.
Flávia Muniz também é uma autora que podemos classificar como best-seller. Embora seu nome não seja tão lembrado quanto os dois autores acima citados, Flávia está em ação desde os anos 1980 e seu livro Os noturnos é muito bem sucedido comercialmente. A autora publicou em 2016 o romance O manto escarlate, pela editora SESI-SP, que também envereda pela dark fantasy medieval.
Entre os estreantes, há três ótimos destaques. Santiago Santos, autor do saite de microcontos Flash Fiction, publicou seu primeiro romance, Na eternidade sempre é domingo, pela editora Carlini & Cantato, romance fix-up formado por várias narrativas independentes em forma de relato de viagem pelos Andes boliviano e peruano.
Alex Mandarino publicou O caminho do Louco, primeira parte da série Guerras do Tarot, pela editora Avec, ágil aventura de fantasia urbana com toques de mistério. E Caio Alexandre Bezarrias, com Shimandur: A cidade da chuva, pela editora Devir Livraria, fantasia passada na metrópole paulistana assolada por uma chuva interminável.
Antes de passar adiante, convém destacar aqui um livro de estremo valor, que precisa estar nesta relação, apesar de ter autor, em tese, estrangeiro. Trata-se do texano Christopher Kastensmidt, americano radicado no Brasil que aqui tem desenvolvido sua carreira como escritor, privilegiando uma ficção de caráter brasilianista que poucos autores nacionais ombreiam. Depois de publicar vários contos em antologias, Kastensmidt lanço em 2016, pela Devir Livraria, o romance fix-up de fantasia A Bandeira do Elefante e da Arara, que compila todos os dez contos do ciclo das aventuras de Gerard e Oludara, um holandês e outro africano, enfrentando seres mitológicos ao longo de uma ampla peregrinação pelo território do Brasil colonial.
A ficção científica tem se recuperado nos últimos anos, depois de um período de estagnação em que pouco se publicou no gênero. Os representantes de 2016 também são pesos pesados do segmento: Alexey Dodsworth, que em 2015 foi reconhecido pelos fãs com o prêmio Argos, lançou O esplendor, pela editora Draco, história cósmica sobre um planeta de luz eterna que é agitado quando surge um menino que pode dormir e sonhar.
Mustafá Ali Kanso, que é também um nome reconhecido no fandom, publicou O mesmo Sol que rompe os céus, pela editora Fragmentos, com uma história sobre o encontro de dois personagens com experiências bizarras.
Luiz Brás – reconhecido em alguns círculos como o multipremiado Nelson de Oliveira – tem mantido uma forte produção de fc&f nos últimos anos e, em 2016, apresentou aos leitores Não chore, pela editora Patuá, uma ficção anarquista que discute o sistema prisional. Pela mesma editora, Oliveira republicou o esgotado Subsolo infinito, originalmente publicado em 2000, uma perturbadora fantasia urbana sobre a identidade.
O horror é um ambiente razoavelmente assentado no mercado, sempre com uma produção equilibrada e estável. Rosana Rios é uma dama da literatura especulativa nacional, com dezenas de títulos publicados ao longo de sua produtiva carreira iniciada em 1988. Em 2016, lançou Olhos de lobo, pela editora Farol Literário, com uma história que mistura licantropia e nazistas no Rio Grande do Sul.
Pedro Cesarino, reconhecido pesquisador acadêmico da cultura dos povos nativos, vencedor do Jabuti com sua tese de doutorado Oniska: Poética do xamanismo da Amazônia, estreou em 2016 na ficção com Rio acima, pela editora Companhia das Letras, que aproveita sua experiência no tema para contar uma história de terror nas selvas do Xingu, na linha Coração das trevas, de Joseph Conrad.
Também a Companhia das Letras publicou Jantar secreto, de Raphael Montes, uma história de terror urbano deste autor que tem sido muito comentado nos últimos anos por sua ficção de aspectos sombrios.
Coletâneas e antologias representam um papel importante no ambiente da fc&f nacional. Como há poucas revistas publicando ficção, esse modelo editorial, que reúne num mesmo livro textos curtos de diversos autores e estilos, tem sido a sustentação do exercício criativo e revelado muitos autores de qualidade, sem esquecer que é na ficção curta que os autores brasileiros geralmente têm os melhores resultados.
Como em quase tudo, 2016 testemunhou uma forte queda no número de antologias e coletâneas publicadas no país, mas ainda assim é preciso reconhecer o esforço dos editores em investir no formato.
Entre as coletâneas – livros que reúnem textos de um único autor –, o destaque vai para O teorema das letras, título póstumo de André Carneiro (1922-2014), o mais bem sucedido autor brasileiro de ficção científica, que traz cinco contos inéditos que representam a intensa criatividade de Carneiro, mesmo no fim da vida. 
No gênero do horror, o ótimo Carlos Orsi apresentou Mistérios do mal, pela editora Draco, que traz contos que unem mitologias e cosmologias típicas da weird fiction, amalgamadas a cenários e personagens brasileiros, como é característico em sua obra.
Também é no horror sobrenatural que se apresenta o escritor gaúcho Duda Falcão, com a coletânea Treze, pela editora Avec (publicada com data de 2015), não por acaso com treze contos ao estilo pulp fiction, com muito sangue, monstros, bruxas e demônios.
Entre as antologias – livros que publicam trabalhos de autores diferentes – os destaques da fantasia são Estranha Bahia, organizada Alec Silva, Ricardo Santos e Rochett Tavares para a editora EX!, com sete contos cujo fio condutor é, como já diz o título, o estado da Bahia.
E também Medieval: Contos de uma era fantástica, organizada por Ana Lúcia Merege e Eduardo Kasse para a editora Draco, com nove textos de autores bem avaliados, todos obviamente num cenário medieval, uma espécie de segundo volume a antologia Excalibur, dos mesmos organizadores e editora, publicada em 2013.
A antologia essencial na ficção científica em 2016 é Dinossauros, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro para a editora Draco, um tema recorrente em antologias nacionais e estrangeiras, mas que traz 16 histórias inéditas de autores experientes e conhecidos no fandom.
Fechando esta seleção, a antologia Contos de terror, organizada por Camilo Prado para a editora Nephelibata, com 15 textos curtos, quase todos em domínio público, numa seleta de histórias tenebrosas de viés realista, por autores clássicos da literatura brasileira que pode surpreender os leitores menos avisados, num modelo que tem recebido razoável atenção dos antologistas nos últimos anos.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Trasgo 13

Está disponível o primeiro número de 2017 da revista eletrônica de ficção fantástica Trasgo, editada por Rodrigo van Kampen, totalmente dedicada à produção nacional.
Em suas 130 páginas, traz textos de ficção científica, fantasia e terror escritos por Elisa Rovai, Fernanda Castro, Maira M. Moura, Jéssica Borges, José Abrão e Noan Moraes, que também são entrevistados na edição, assim como o ilustrador Jânio Garcia, que assina a capa e muitas outras ilustrações exibidas na seção "Galeria".
Trasgo pode ser lida e baixada gratuitamente aqui, nos formatos epub, mobi e pdf. Edições anteriores também estão disponíveis. A revista aceita submissões e os trabalhos publicados são remunerados.

Teslapunk

Depois de um longo processo de seleção, a editora Madrepérola, de Londrina, acaba de publicar o primeiro livro nacional de ficção científica em 2017: a antologia Teslapunk: Contos de realidades alternadas, organizada por Marcelo Coelho com dez contos que exploram, através da lente do fantástico, o impacto da energia elétrica na sociedade.
Diz o texto de divulgação: "O teslapunk é assim nomeado graças ao cientista e inventor Nikola Tesla, um homem que revolucionou a história do mundo nos idos do século 18. Em seus contos, nos perderemos entre subestações, esquivaremos de arcos voltaicos e encontraremos nosso precursor, o próprio Nikola Tesla em carne, osso e impulsos elétricos".
Os textos que compõe a antologia são assinados Adnelson Campos, Alex Giacomin Rebonato, Bruno Lopes Curiel, Diego Navarro, Eduardo Yoshikazu Nishitani, Gabriel Guandalini, Gregório Bernardino Matoso, Jean Thallis, Leandro Zerbinatti de Oliveira e Lucas M. Carvalho.
Teslapunk tem 126 páginas e pode ser baixada gratuitamente no saite da Madrepérola, aqui.

Inquérito dos sacis

O projeto Colecionador de Sacis, do jornalista e pesquisador Andriolli Costa – que mantém um blogue muito interessante dedicado ao mito brasileiro – aproveitou os cem anos do "Inquérito sobre o saci", uma pesquisa popular realizada em 1917 por Monteiro Lobato nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo, para produzir e publicar uma revista eletrônica inteiramente dedicada a mapear o saci em todas as suas versões, seja no folclore, na literatura, nas artes e no imaginário do brasileiro.
A revista tem 83 páginas e conta com artigos, causos, poemas e contos de um grande time: Ana Paula Aparecida Oliveira, André Lima Carvalho, David Dornelles, Douglas Rainho, Egidio Trambaiolli Neto, Elizeu Batista Thomé, Elói Bocheco, Gastão Ferreira, Gláucia Santos Garcia, Itaércio Rocha, Jorge Alexandre, Lucas Baldo Fraga, Margareth Assis Marinho, Neide da Cunha Pinto, Olívio Jekupé, Ronaldo Clipper, Sérgio Bernardo, Tânia Souza, Victoria Baubier e Wallace Gomes. Também investe na pesquisa imagética com fotos de Douglas Colombelli, Gustavo Beuttenmuller, Jessika Andras, Leo Dias de los Muertos e Maurício da Fonte Filho, e ilustrações de Adriano Batista, Alice Bessoni, Altemar Domingos, Anderson Awvas, Anderson Barbosa Ferreira, Bruno Lima, Fabio Dino, Fábio Vido, Fábio Meireles, Felipe Minas, Geraldo Borges, Giorgio Galli, Ícaro Maciel, Joe Santos, João P. Gomes de Freitas, José Luiz Ohi, Mikael Quites, Mil Araújo, Monteiro Lobato, Odoberto Lino, Rafa Louzada, Rafael Pen, Rodrigo Rosa, Romont Willy, Stuart Marcelo, Talez Silva, Thiago Cruz (Ossostortos), Ursula Dorada (SulaMoon), Vilson Gonçalves, Waldeir Brito, Webby Junior e William Chamorro, que também assina a ilustração da capa.
Diz Andriolli, o editor: "Nossa missão, nestes 100 anos de Inquérito, é mostrar como o saci ainda vive no dia a dia do brasileiro, mas em novas formas. O saci que some com o dedal da costureira e trança a crina dos cavalos é o mesmo que dá nó no fone de ouvido que fica no bolso. O mesmo que faz cair o 4G do celular. O Saci não ficou na roça. Passeia entre nós. Não está restrito ao dia do folclore nas escolas, nem às discussões contra Halloween que povoam as redes sociais. Saci não é discurso, é mito vivo".
A edição é gratuita e pode ser baixada no blogue, aqui. Tão divertida quanto o seu próprio lema: “Sacis de todo o mundo, uni-vos! Nada tendes a perder a não ser a outra perna!”.